Curitiba fechou o segundo trimestre de 2026 com 3.480 unidades verticais vendidas, crescimento de 50,1% sobre o mesmo período de 2025. Somando os últimos 12 meses, foram mais de 12 mil apartamentos novos comercializados e R$ 9,3 bilhões em VGV (Valor Geral de Vendas), colocando a capital paranaense à frente de mercados tradicionalmente maiores, como Fortaleza e Goiânia.
O dado que chama atenção não é só o volume vendido, é a velocidade do crescimento. Um salto de 50% num único trimestre, na comparação ano a ano, não é ajuste de mercado, é mudança de patamar. A presidente da Ademi-PR, Maria Eugenia Fornea, comentou que os resultados reforçam tendências que o setor já vinha observando ao longo do ano.
Vale contextualizar: 2025 já tinha fechado como o maior ano histórico do mercado curitibano, com R$ 23,9 bilhões transacionados. O que o segundo trimestre de 2026 mostra é que, mesmo depois de um recorde daquele tamanho, a cidade não desacelerou como muita gente esperava.
Estúdios e apartamentos de um dormitório seguem puxando a maior fatia dos lançamentos, 55,4% no trimestre. Mas esse número já é menor do que no mesmo período de 2025, o que indica um ajuste de rota. Entre as tipologias, os imóveis de dois dormitórios ganharam espaço, enquanto as unidades de um dormitório perderam participação relativa.
Outro movimento que merece atenção: o Minha Casa Minha Vida voltou a aparecer com força nos lançamentos, depois de um primeiro trimestre bem fraco pro programa. Ainda é cedo pra saber se isso é o começo de uma reconfiguração mais duradoura ou só um pico pontual, o próprio setor sinaliza que precisa acompanhar os próximos levantamentos antes de tirar conclusão.
Bigorrilho e Batel continuam na liderança em preço por metro quadrado, isso não é novidade pra quem acompanha o mercado de Curitiba. O que muda é onde está o crescimento: a região Norte da cidade lidera a valorização em 2026, com alta de dois dígitos, um movimento que foge do eixo tradicional Batel-Água Verde-Bigorrilho.
Água Verde, por sua vez, segue entre os bairros mais disputados, mas o destaque ali é a liquidez, não necessariamente o crescimento de preço mais acelerado do momento.
Recorde de vendas com valorização em paralelo costuma significar uma coisa prática: menos margem de negociação do que há um ou dois anos. Se você está no meio de uma decisão de compra, o cenário atual pesa a favor de definir logo a região e o tipo de imóvel, em vez de esperar um "momento melhor" que talvez não venha tão cedo.
Isso vale principalmente pra quem está de olho na Zona Norte, onde a valorização recente ainda não se estabilizou, e pra quem considera o compacto como opção de entrada, já que essa tipologia segue sendo a mais disputada em oferta.
Curitiba é mesmo o terceiro maior mercado imobiliário do Brasil?
Segundo levantamento da Ademi-PR referente ao segundo trimestre de 2026, sim, considerando volume de vendas e VGV no período analisado.
Os apartamentos compactos ainda são a maioria dos lançamentos?
São, com 55,4% no trimestre, mas essa participação caiu em relação a 2025 e os imóveis de dois dormitórios ganharam espaço.
O Minha Casa Minha Vida voltou a crescer em Curitiba?
Voltou a ter participação relevante nos lançamentos do trimestre, depois de um início de ano fraco, mas ainda é cedo pra confirmar se é tendência.